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segunda-feira, Março 17, 2014

Rússia coloca China em situação complicada



Até agora, muito se tem falado da influência da política do Kremlin na Ucrânia nas relações entre a Rússia e o Ocidente, mas não se deve esquecer a China, cuja situação também não é nada invejável depois do referendo da Crimeia.
Pequim absteve-se no Conselho de Segurança da ONU, alegando que a aprovação da proposta apresentada pelos EUA de condenação do referendo poderia agravar ainda mais a tensão já existe. Depois disso, a China recusa-se comentar os resultados do escrutínio, mas com uma dificuldade cada vez maior.
Hoje, ao responder a um jornalista sobre o referendo da Crimeia, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China declarou: “A China respeitou sempre a soberania, independência e integridade territorial de todos os Estados. A questão da Crimeia deve ter uma solução política no quadro da lei e da ordem”.
Claro que, pelo menos publicamente, não irá reconhecer a anexação da Crimeia por parte da Rússia. Pequim até pode pretender anexar territórios, mas sem qualquer vestígio do “direito dos povos à autodeterminação”, porque este direito é negado pelas autoridades chineses ao Tibete e às regiões islâmicas do Noroeste do país.
As autoridades chinesas avançaram com um complexo plano para “fazer baixar a tensão existente”, mas parece que chegue demasiadamente tarde, porque Vladimir Putin não vai renunciar àquilo que tão pouco lhe custou a ganhar, mais um membro da Federação da Rússia.
Deste modo, o dirigente russo veio complicar o jogo da própria China.
Isto será tanto mais perigoso se o “bichinho” da autodeterminação avançar na própria Federação da Rússia. Durante o processo de adesão da Crimeia à Rússia, Vladimir Putin terá de pedir ao Tribunal Constitucional uma parecer sobre a legalidade disso. Não há dúvidas que os juízes do TC irão dizer ao Kremlin, mas não se devem esquecer que, em 1992, os juízes desse tribunal recusaram à Tartária um referendo sobre maior autonomia no seio da Federação da Rússia.
Além de mais, Moscovo vai continuar a ingerir-se nos assuntos internos da Ucrânia, sob as mais diversas formas, incluindo a via militar.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia acha-se no direito de vir ditar o futuro da Ucrânia, ou melhor, do que resta desse país dilacerado, considerando que Kiev deve convocar uma Assembleia Constitucional para “reforçar os princípios da lei, da defesa dos direitos humanos e de todas as minorias nacionais, da liberdade de expressão e da actividade dos partidos políticos e dos meios de comunicação, bem como de outros princípios que garantam o sistema político da Ucrânia como Estado federativo democrático, que tem soberania e um estatuto político-militar neutro”.
Além disso, a língua russa deverá ser também uma das duas línguas oficiais da Ucrânia.
Para alguns, isto pode ser o princípio da “finlandização” da Ucrânia, mas, na realidade, trata-se da doutrina da “soberania limitada”, proclamada pelo antigo líder soviético Leonid Brejnev, depois de ter ordenado a invasão da Checoslováquia em 1968.

Ao que tudo indica, Moscovo tem pressa de ocupar o máximo de posições na Ucrânia para desacreditar o actual Governo de Kiev por ser incapaz de travar esta ofensiva, bem como pôr ordem em casa. Os passos seguintes consistirão em continuar a desestabilizar a situação no Sul e Leste da Ucrânia para, quando chegarem as eleições presidenciais ucranianas, marcadas para 25 de Maio, o país estar de facto dividido.

24 comentários:

São disse...

Primeiro que tudo quero esclarecer duas coisas: não me atrevo a questionar a sua análise, porque vive na Rússia e conhece muito bem a situação; outra , é que não considero Putin um anjo impoluto, sedento de democracia.

Posto isto, acho que a União Europeia foi a principal responsável da situação actual na Ucrânia e que os EUA fariam o que a Rússia fez se estivessem numa situação semelhante.

O referendo é ilegal? Mas quem detém o poder em Kiev esse não é legal , de certeza!

E assusta-me o cinismo da UE e EUA que nada se preocupam com a cada vez maior força da extrema-direita europeia (aliada à sionista)e que já está presente no actual Governo da Ucrânia.

O que me dói é que mais uma vez é a população a ficar sob o fogo cruzado de interesses que não propriamente os seus.

Os meus cumprimentos

Pippo disse...

A China deve estar preocupadíssima com o referendo na Crimeia! Aliás, para quem reivindica a união da Formosa (Taiwan) à RPC, seria absurdo criticar tal decisão soberana do povo da Crimeia.

Não há qualquer paralelismo entre a situação na península e no Tataristão, que já faz parte da Federação e deverá ter a mesma autonomia que todas as outras regiões.

Quanto a ingerências na Ucrânia, peço imensa desculpa mas... JM, que população alemã ou norte-americana existe na Ucrânia? E russa? Quem é que lhe parece que terá mais legitimidade para intervir num país tomado de assalto por neo-nazis russófobos, os EUA (que intervieram e todos o sabemos) ou a Rússia?

Já sei que me irá dizer que nenhum tem o direito a ingerir-se, mas o facto é que os países do "Ocidente" intervieram para depor um presidente o qual, quer gostemos dele ou não, foi democraticamente eleito.

O destino final da Ucrânia, se aquilo não descambar, será uma federalização, com os "bons" ucranianos a mandar no seu pedaço no Oeste e os "maus" ucranianos a mandar no seu, a Leste.

MSantos disse...

Não lhe dão descanso.

:D

Cumpts
Manuel Santos

José Milhazes disse...

Caro Pippo, estou de acordo consigo. A única pergunta que faço é a seguinte: irá a Rússia aguentar esta política externa?

PortugueseMan disse...

Caro JM,

tinha colocado um post neste artigo, não tem nada aí para aprovar?

José Milhazes disse...

Caro PM, desculpe, mas não recebi nada.

PortugueseMan disse...


O destino final da Ucrânia, se aquilo não descambar, será uma federalização, com os "bons" ucranianos a mandar no seu pedaço no Oeste e os "maus" ucranianos a mandar no seu, a Leste.


Há aqui um senão, que pode realmente fazer descambar a coisa.

Se os "maus" começarem a querer algo como o que fez a Crimeia, os "bons" podem perder acesso ao Mar Negro, o que muda radicalmente o panorama para os "bons".

Num caso destes, mesmo que tivessem dinheiro para pagar o gás a preços de mercado, não tinham como encomendar um "barquinho" cheio de gás.

Perderiam acesso para as exportações e importações via mar.

Material de guerra por exemplo vendido sabe-se lá a quem, imaginemos que quereriam vender à Geórgia (algo que nunca iriam fazê-lo claro...), já não sairia às escondidas num barquinho rumo a um porto algures. Ou vai via terrestre, tendo que passar por muitos controlos, ou via aérea, que limita o transporte.

São tantas as coisas más que podem acontecer aos "bons", que vai ser difícil não descambar.

PortugueseMan disse...

Pena, até escrevi um bom bocado e não guardei o post.

para a próxima tenho que fazer o que costumo fazer, guardar até ficar publicado, para o caso de ser necessário repetir.

Obrigado,
PortugueseMan

Fernando Negro disse...

PortugueseMan,

A Google/Blogger apaga comentários e colocações de que não gosta - não por vontade dos autores dos blogues em causa.

(Leia a minha resposta ao "mikaelrc ribeirocardoso" nos comentários a esta colocação.)

(Extra: http://www.anovaordemmundial.com/2013/11/censura-google-4-posts-de-denuncias.html)

PortugueseMan disse...

irá a Rússia aguentar esta política externa?

Economicamente tem essa capacidade.

Politicamente também a tem.

Ninguém vai conseguir fazer pressão. Vai haver um barafustar de indignação pelos governos ocidentais, mas pouco mais do que isso.

E os ganhos são imensos.

Fernando Negro disse...

Dr. Milhazes,


(Por ter eu estado doente, não pude perguntar isto antes... Mas, visto que mencionou o facto da Rússia se estar a ingerir na situação na Ucrânia, penso que isto também vem a propósito disso...)

Pude ler, nas suas colocações mais recentes, que você afirma que os "homenzinhos verdinhos" são, tal como dizem os órgãos ocidentais, soldados russos disfarçados.

(Estou correcto, ao assumir que o está a dizer como um facto - e não como uma mera opinião, ou suspeita?)


Ora, nos últimos dias, pude eu ver - e repetidamente - na estatal RT (que toda a gente que assina um pacote normal de TV por cabo na zona de Lisboa também pode ver) filmagens destes "homenzinhos verdinhos"

(1) a tomar parte em cerimónias onde era jurada fidelidade à Crimeia e

(2) em que quem deste grupo fazia parte dizia, perante as câmaras de televisão, que era natural da Crimeia (e também a acrescentar que as pessoas irão saber mais sobre a composição destes grupos, no futuro próximo).


Nenhum destes dois factos bate certo com o que você aqui diz, de serem estes soldados russos.

E, lendo o que você escreveu, vejo que a fonte por si mencionada, para dizer o contrário do que dizem os próprios soldados, é "a imprensa russa"...

«A Rússia, entretanto, não perde tempo e vai ocupando quartéis e posições militares ucranianas na região através dos “homenzinhos verdinhos” não identificados, que a imprensa russa dizem ser tropas especiais do GRU (espionagem militar) e o tristemente batalhão checheno “Vostok”, que irão vizinhar com os voluntários sérvios que já se encontram na Crimeia.»



(E, vista a grande importância que tem este facto, para avaliar se a Rússia está, ou não, a violar a soberania da Ucrânia...)

Será que nos pode facultar a sua fonte, para que tentemos, com um tradutor electrónico, ver ou ler as provas que tem essa "imprensa russa" do que diz?

E, será que nos podia dizer se tal imprensa, que serve de sua fonte, é considerada independente, pró-, ou anti-Putin?


(É que, alguém aqui está a mentir... E, ao contrário da imprensa ocidental, onde isso acontece - e voltou a acontecer, nesta situação - repetidamente, eu nunca apanhei a estatal RT a mentir... E, imprensa pró-ocidental e anti-russa, sei eu bem que não é só fora da Rússia que existe... E, para além disso, já pude ver neste blogue você a engolir uma mentira de um órgão ucraniano, quanto à identificação de um sujeito, por causa de um uniforme que este usava.)


E também... Exactamente por ter eu repetidamente apanhado também os média portugueses a mentir, já não faço questão de vê-los... E, só por acaso é que costumo ver partes de telejornais ou de outros programas, quando está uma televisão ligada - e já tenho apanhado, inesperadamente, o Dr. Milhazes a falar... E, por isso, uma questão que acho que também será importante fazer aqui, a propósito disto, é:

Diz também o Dr. Milhazes, no órgão ocidental SIC, que estes homens são soldados russos?

(E, se sim... Com que provas?)

José Milhazes disse...

Sr. Fernando Negro, se você nunca apanhou a RT a mentir, o problema é seu, pois não teve essa sorte ou azar, depende dos gostos. Quanto à presença de soldados russos na Crimeia, eu citei vários órgãos de informação russos, mas você pode decidir que se trata de uma questão de fé. Por exemplo, os soldados podem ser extraterrestres que simpatizam com a política russa.
Desejo-lhe sinceramente as melhoras.

Pippo disse...

Eu não duvido que os soldados sejam russos. Aliás, acho muito bem que o sejam!
A Rússia, tal como todos os outros países com poder para tal, tem o direito - Direito! - de intervir onde os seus interesses estejam ameaçados, com ou sem o aval da "comunidade americano-internacional".
Aliás, a Rússia até teria o Direito de intervir onde os seus interesses não estivessem ameaçados mas onde lhe apetecesse intervir, só para ganhar uma posição no terreno, como o fazem alguns países que eu cá sei.

Será que tem a capacidade económica para isto, pergunta o JM. Se calhar até nem tem, mas qual seria a alternativa, posso saber? Seria qual? Confiar no "Direito Internacional"? Confiar na ONU? Confiar no "Svoboda" (com aspas) e no Sector de Direita? Confiar (esta é para rir!) nos EUA/NATO???

De políticas de enxovalhanço e factos consumados já Moscovo está farto. Agora chegou a altura de bater com o pé, e é assim a vida.

E quanto aos EUA e à UE, como diria o famoso arquitecto, "aguentem e não chorem!"

Anónimo disse...

Então Putin reconheceu a independência da Crimeia? Mas não foi isso que foi votado no referendo, foi a integração na Rússia!
HAHAHA
Este Putin é mesmo um pândego maléfico. Após as independências da Abecázia e da Ossétia do Sul, agora é a Crimeia também, tão independente, para dar tanto jeito na ONU os russos dizerem que não anexam nada.
Que se dirá sobre isto? E ainda dizem que a tourada está fora de moda...

Fernando Negro disse...

Dr. Milhazes,


Por já ter eu sido um chamado "jornalista cidadão", sei bem o quão mentirosos são os vários média... E, por isso, não acredito em nada baseado em mera "fé".

Só acreditando eu no que me dizem alguns dos média quando, (1) ou estes apresentam provas do que dizem, (2) ou estes são média que já repetidamente provaram a sua credibilidade, por terem repetidamente cumprido o primeiro ponto.

O segundo ponto, tem vindo a ser cumprido pela RT, perante mim, nos últimos anos (a qual tenho visto mesmo muito, no decorrer dos mesmos). Mas, ainda assim, por saber eu que é um órgão financiado pelo estado russo, abri a minha mente para a hipótese de poderem eles, neste caso específico, estarem a mentir.

Ora, na última semana, apresentaram eles provas de que não se tratam de soldados russos. (Cumprindo também o primeiro ponto, que me serve de guia para acreditar no que me dizem os vários média.)

E, assim sendo...


De que não são estes soldados russos, tenho eu provas. (http://rt.com/news/self-defense-oath-crimea-962/)

De que são o contrário, não tenho eu nenhumas...


Portanto, o julgamento que faço, é de que não se tratam de soldados russos.


E, com todo o respeito, a única conclusão que posso tirar, é a de que esta é mais uma mentira que você engoliu e que andou a espalhar. (Tal como fazem, consciente ou inconscientemente, e repetidamente, muitos jornalistas ocidentais, que não cumprem o papel que deveriam estar a cumprir, de dizer apenas a Verdade.)

Pois, do que leio neste blogue, continuo muito convencido que você é uma pessoa honesta que, quando diz algo que não é verdade, não o faz de forma consciente.


Contudo, o que, inevitavelmente, com isto aconteceu, foi que a sua credibilidade, perante mim, foi em muito abalada... Pois, como eu disse, trata-se esta de uma questão mesmo muito importante, para compreender uma situação, também ela, muito importante para todos...

E, agradecendo-lhe as melhoras que me desejou e, uma vez mais, as respostas que me deu a algumas questões que eu aqui deixei... Lamento muito dizer que, em consequência disto, terei, daqui para a frente, muito pouco interesse em continuar a seguir este seu blogue.

Fernando Negro disse...

Pippo,

Eu discordo do que diz... Mas, só para tornar isto mais claro,

O legitima e democraticamente eleito Presidente Ianukovitch (cuja autoridade foi até, recente e supostamente, reconhecida pelos próprios golpistas, como sendo válida até à data para a qual foram marcadas novas eleições) pediu ao governo russo ajuda militar, depois de terem surgido estes "homenzinhos verdinhos".

Por isso, ainda que estivessem já - ou ainda que já lá estejam algumas outras - tropas russas (que não estes reportados "homenzinhos verdinhos" - que não são russos e que, tanto quanto eu sei, surgiram antes de tal pedido) em território ucraniano (sendo de tal possível presença antes deste pedido de ajuda que surge, para mim, a importante questão de se está, ou não, a ser violada a soberania da Ucrânia), elas estariam - ou estarão - lá por vontade de um líder democraticamente eleito.

(Da mesma maneira que estão tropas estrangeiras, pertencentes à OTAN, em vários dos países europeus, por vontade dos líderes democraticamente eleitos nesses países - tanto quanto eu sei, não em violação do Direito Internacional.)

Logo, em qualquer um dos casos, não se trata de uma invasão, ou de uma "ingerência" estrangeira (tal como eu a defino - em oposição ao termo "intervenção") num país onde não são estas tropas desejadas.

sagher disse...

redcordar o KJosovo e o separatismo kosovar apoiado pelo ocidente em detrimento da Servia seria bom só para colocar num plano claro o que está em causa, ou seja, quando os referendos são do grado da UE tudo bem, quando contraiam a hegemonia Americana e da União
ao são coisas más...é pois estranho os comentários de muitos comentadores que parecem não terem memória

sagher disse...

redcordar o KJosovo e o separatismo kosovar apoiado pelo ocidente em detrimento da Servia seria bom só para colocar num plano claro o que está em causa, ou seja, quando os referendos são do grado da UE tudo bem, quando contraiam a hegemonia Americana e da União
ao são coisas más...é pois estranho os comentários de muitos comentadores que parecem não terem memória

Anónimo disse...

Justino disse :

A China encontrar-se-ia numa posição muito mais delicada se os vizinhos russos tivessem algum historial de apoio ou provocação de insurreições no Tibete ou nos territórios de uigures muçulmana, o que, manifestamente nunca foi ou será o caso.

Na minha modesta leitura, o que mais preocupa a China é continuar a produzir e vender os seus produtos sobretudo ao ocidente cujas empresas ali implantadas já asseguram cerca de METADE das importações/exportações, (além de continuar a receber os juros da monumental dívida americana ), para poder continuar a alimentar cerca de um bilião e trezentos milhões de bocas. Daí que, uma hipotética guerra na Europa por causa de uma arruaça em Kiev por instigados extremistas só pode ser muito má notícia.

A China deseja pois tudo menos a “débacle” económica dos seus parceiros ocidentais que acontecerá se fomentarem mais um Iraque ou Síria desta vez em plena Europa. Para já, a “conta” dos novos oligarcas de Kiev, já se salda em quinze mil milhões de €uros ( que tanta falta faziam para aliviar a austeridade nos países sob programa da toika ) acrescidos de mil milhões de dólares.

A momentânea neutralidade chinesa só lhe pode assentar bem. Mas quando, por um efeito dominó jogado na aldeia global for arrastada para o caos económico a sua posição não vai diferir que partilha com os russos no conflito sírio.

Indiferente a tudo isto joga o complexo militar-industrial americano que só pode sonhar em justificar um tão grande investimento em defesa com se vivesse em economia de guerra, e “en passent” sempre colocaria o contador da dívida americana a “zero”. JF Kennedy dispensou uma guerra nuclear e salvou a face de Nikita Khrushchov, o tal que anexou a Crimeia à Ucrânia, ao enviar o irmão Bobby à Europa para negociações secretas com os representante daquele driblando assim o complexo militar. Obama não tem um irmão procurador geral.

Em conclusão, a posição mais delicada é a da UE que, sendo o elo militarmente mais fraco, pode vir a revelar-se como o fiel da balança e a salvadora das faces de Obama e Putin se actuarem como fez Cameron em relação à Síria, muito simplesmente, consultarem os respectivos parlamentos democraticamente eleitos para saber se interessa, ou não, uma guerra na Europa ou despejarem €uros sem fim na falida Ucrânia.

João Pedro disse...

"E assusta-me o cinismo da UE e EUA que nada se preocupam com a cada vez maior força da extrema-direita europeia (aliada à sionista)"

Então não eram nazis? como é que se vão aliar com "sionistas"? Aliás, se fosse sionistas não teriam ficado na Ucrânia, estariam em Israel. Esse é que é o propósito do sionismo. Sim, há um judeu governo interno de Kiev. E então? Vão voltar a considera-los como sub-humanos? isso sim, é assustador.

João Pedro disse...

"O legitima e democraticamente eleito Presidente Ianukovitch"

Essa legitimidade já era mais que duvidosa tendo em conta a súbita mudança de direcção ao não assinar um acordo com a UE, como estava estipulado (e não me digam que aqui não houve ingerência russa), à utilização de mercenários e às fortunas que acumulou no desempenho do cargo, mas tornou-se incontornável ao fugir para a Rússia e permanecer no território de uma país que acaba de anexar uma parte daquele a que ele presidia até há poucas semanas. Chama-se a isso alta traição.

Viriatus disse...

Agora que as sanções contra a Rússia saíram finalmente à luz do dia, temos a indubitável certeza de que o Ocidente se encontra dividido quando aos passos a dar contra a acção da Rússia na Crimeia, que de uma penada rasgou a «pax americana» (que nascera da inquestionável vitória da América sobre uma decrépita URSS) e o mundo unipolar, que com a vitória americana se afirmara. A América, perdendo economicamente para a China, esse gigante asiático que se vem afirmando dia após dia, era ainda assim a grande potência militar e política do planeta. Numa semana, tudo mudou.
O Ocidente foi longe de mais na humilhação da Rússia. A América fê-lo, segura dos oceanos que a separam da Rússia, indiferente ao facto de a Europa ter de conviver lado a lado com um vizinho dia a dia humilhado nos seus brios imperiais (mas que diabo, só a Inglaterra é que tem direito a tê-los? O Império Russo não é fonte de orgulho para os Russos? Respeitem isso, por favor!!!).
Politicamente, vivemos hoje um mundo bipolar. Não sei se se aperceberam, mas nós assistimos nos últimos dias a uma metamorfose política. Nós assistimos e vivemos a História. Para o bem e para o mal.
Com o reconhecimento da independência da Crimeia pelo presidente Putin (não “o Putin” como diz o esclerosado ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal) fecha-se um ciclo, abrindo-se muito provavelmente outro ciclo. Com a Crimeia inegociável, põe a Rússia agora as cartas na mesa. A paz é o desejo de todos. Eis as condições da Rússia:
1) O Parlamento ucraniano deverá reunir para redigir uma nova constituição;
2) Essa constituição irá estabelecer um sistema federal;
3) A Ucrânia assumirá neutralidade política e militar;
4) A língua russa será reconhecida como língua oficial do país;
5) Haverá uma especial garantia na protecção dos direitos humanos de todas as minorias;
6) Haverá eleição do poder local (até agora nomeado pelo poder em Kiev);
7) Não haverá interferência política nos assuntos da esfera religiosa;
Com a observância destes princípios propõe-se a Rússia reconhecer a soberania, a autoridade territorial da actual Ucrânia (sem Crimeia) e o estatuto de neutralidade política e militar. A Rússia, os Estados e a União Europeia serão os garantes dessa carta de princípios, sendo os mesmos aprovados por uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Esqueçam a Crimeia. Nos próximos dias a comunidade internacional nas discussão desta Carta de Princípios, para garantir que não haverá outras Crimeias, e que a Ucrânia não se cindirá, tornando-se uma nova Bósnia, em tamanho gigantesco.
Os próximos tempos vão ser simultaneamente terríficos e apaixonantes, para quem vibra com a política internacional…

Viriatus disse...

Agora que as sanções contra a Rússia saíram finalmente à luz do dia, temos a indubitável certeza de que o Ocidente se encontra dividido quando aos passos a dar contra a acção da Rússia na Crimeia, que de uma penada rasgou a «pax americana» (que nascera da inquestionável vitória da América sobre uma decrépita URSS) e o mundo unipolar, que com a vitória americana se afirmara. A América, perdendo economicamente para a China, esse gigante asiático que se vem afirmando dia após dia, era ainda assim a grande potência militar e política do planeta. Numa semana, tudo mudou.
O Ocidente foi longe de mais na humilhação da Rússia. A América fê-lo, segura dos oceanos que a separam da Rússia, indiferente ao facto de a Europa ter de conviver lado a lado com um vizinho dia a dia humilhado nos seus brios imperiais (mas que diabo, só a Inglaterra é que tem direito a tê-los? O Império Russo não é fonte de orgulho para os Russos? Respeitem isso, por favor!!!).
Politicamente, vivemos hoje um mundo bipolar. Não sei se se aperceberam, mas nós assistimos nos últimos dias a uma metamorfose política. Nós assistimos e vivemos a História. Para o bem e para o mal.
Com o reconhecimento da independência da Crimeia pelo presidente Putin (não “o Putin” como diz o esclerosado ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal) fecha-se um ciclo, abrindo-se muito provavelmente outro ciclo. Com a Crimeia inegociável, põe a Rússia agora as cartas na mesa. A paz é o desejo de todos. Eis as condições da Rússia:
1) O Parlamento ucraniano deverá reunir para redigir uma nova constituição;
2) Essa constituição irá estabelecer um sistema federal;
3) A Ucrânia assumirá neutralidade política e militar;
4) A língua russa será reconhecida como língua oficial do país;
5) Haverá uma especial garantia na protecção dos direitos humanos de todas as minorias;
6) Haverá eleição do poder local (até agora nomeado pelo poder em Kiev);
7) Não haverá interferência política nos assuntos da esfera religiosa;
Com a observância destes princípios propõe-se a Rússia reconhecer a soberania, a autoridade territorial da actual Ucrânia (sem Crimeia) e o estatuto de neutralidade política e militar. A Rússia, os Estados e a União Europeia serão os garantes dessa carta de princípios, sendo os mesmos aprovados por uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Esqueçam a Crimeia. Nos próximos dias a comunidade internacional nas discussão desta Carta de Princípios, para garantir que não haverá outras Crimeias, e que a Ucrânia não se cindirá, tornando-se uma nova Bósnia, em tamanho gigantesco.
Os próximos tempos vão ser simultaneamente terríficos e apaixonantes, para quem vibra com a política internacional…


Carlos Caseiro disse...

Este governo de Kiev, apoiado, na grande maioria pelos ucranianos da zona ocidental do país, com as suas ações, ajudou a resolver uma questão pendente desde 1992. 72% da população da Crimeia expressa-se na língua russa e devido às relações de conflito que sempre existiram entre eles e Kiev, nunca se sentiu ucraniana.
Para aqueles que utilizam a expressão “anexação pela Rússia”, e que até têm formação em História, seria bom explicar que tal como os países Bálticos se tornaram legitimamente de novo independentes depois da desagregação da União Soviética, faz sentido a Crimeia fazer parte da Federação da Rússia depois dessa mesma desagregação.
Em primeiro lugar gostaria que antes de pensarem em questões geoestratégicas, pensassem nas pessoas. A questão da Crimeia é um assunto arrumado. Houve um referendo onde 83% da população da península foi às urnas e 96,77 % delas votaram a favor “do regresso a casa”. A alegria das pessoas é imensa. Seria uma desilusão para elas se agora a Rússia não as aceitasse como parte integrante da Federação da Rússia.
A questão do que resta da Ucrânia, é outra. Se em Kiev não se entenderem, não interiorizarem que a Ucrânia é um país multicultural, que a língua russa e a cultura russa fazem parte dela por força do alargamento das suas fronteiras com a inclusão de território que antes pertencia à Rússia e à Polónia, então corre-se o perigo de a Ucrânia ficar reduzida ao antigo mapa de 1939 – é a parte a azul - (http://tourguide.pt/images/crimeia.jpg).
O governo em Kiev continua a bagunça que levou o País onde está. Um país que quando saiu da União Soviética tinha todas as condições para se desenvolver (industriais e geográficas), deixou-se governar por corruptos e está numa crise profunda, da qual nunca conseguirá sair sozinha.
A questão da Ucrânia reduz-se à resposta a uma única questão: quem vai passar o cheque de cerca de 50 mil milhões de dólares para pagar as dívidas?
Tal como em Portugal fez a chamada troika, aquele que o fizer vai impor condições. Se há país que tem esse dinheiro e razões para ajudar a Ucrânia, é a Rússia. Tal como qualquer um de nós faria tudo para não ter um vizinho indesejado, a Rússia fá-lo-á também. Esse vizinho que a Rússia não quer é a NATO, organização sob a influência dos E.U.A.
Quando estiver em Kiev um governo reconhecido pela maioria da população da Ucrânia, Moscovo começará a conversar com Kiev. A Rússia não pode reconhecer um governo de pessoas que assinaram um acordo em 21 de Fevereiro e no dia seguinte o rasgaram. Se não o tivessem feito estariam agora a conversar à mesma mesa com a Rússia, e a Crimeia seria ainda parte integrante da Ucrânia.
Os cidadãos da Ucrânia de todas etnias são no total 45 milhões (com a saída da Crimeia passaram a 43). Todos eles estavam desertos por acabar com a corrupção e com os problemas económicos do país. Mas não era desta solução que estavam à espera. Para a grande maioria a questão da Crimeia já está resolvida. Eles querem que se resolva a questão da Ucrânia. Para que tal aconteça este governo tem que se legitimar pelo escrutínio popular...